LIÇÕES MÁGICAS: #5 Acesse a sua alegria
26 de fevereiro de 2016
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“Lições Mágicas” é uma série de posts baseada nos podcasts do livro “Big Magic – Creative Living Beyond Fear” ou “Grande Magia – Vida Criativa Sem Medo” da autora Elizabeth Gilbert.

Como o próprio título já diz, o livro é sobre criatividade e todos os aspectos que estão envolvidos no exercício da mesma, principalmente o medo e a procrastinação.

As tais *Lições Mágicas* são como mapas para o caminho da criatividade. Aquele empurrãozinho extra que a gente precisa quando se sente empacado nas nossas vidas criativas.

 

A tristeza como matéria-prima

Se você não é Adele, Sam Smith ou Amy Winehouse e tem dificuldade em criar na e da tristeza, terá que seguir por um outro caminho.

No podcast dessa semana, Elizabeth conversou com Melissa, que é música e compositora. O lado criativo apareceu quando ela começou a se sentir desonesta em cantar as músicas compostas por outras pessoas e decidiu “contar” suas próprias histórias em forma de letras. Ela se sente bem na função de compositora por conseguir produzir seu trabalho num tempo próprio, já que ser cantora/música requer um perfil mais ativo, de correria, auto promoção e tentar ser reconhecido o tempo todo.

Só que Melissa perdeu a irmã mais nova há três anos e desde então, vem tentando escrever uma música em homenagem a ela, mas não consegue porque o processo é todo muito doloroso e isso a deixa aflita.

Apesar da dor ser um terreno fértil para a produção de grandes obras, – por isso citei os belíssimos compositores no início do texto – muita gente simplesmente não consegue produzir nada nesse estado de tristeza.

Quando tive o pior momento da minha vida, passei meses coberta de lágrimas, emoções e também inspiração, mas só dois anos depois consegui produzir um material decente sobre essa fase.

E isso dá abertura para falarmos mais uma vez sobre um dos males que rondam a criatividade.

 

A ansiedade
“Eu demorei a desabrochar mas qualquer um que desabroche, de qualquer jeito, tem sorte.” – Sharon Olds

O que isso quer dizer? Que cada um tem o seu tempo e a sua maneira para permitir acontecer.

O que o luto e a criatividade tem em comum é que eles são incapazes de estarem presentes para sempre na vida de um ser humano. Ambos tem as suas fases de início, meio e fim, não importando quantos ciclos de cada você tenha ao longo dos anos.

Portanto, sabendo que para tudo há um fim, mas que você não é obrigada a terminar a corrida em primeiro lugar, a ansiedade pode – e deve – ser eliminada da sua vida.

Só que por mais que o tempo passe e a sociedade evolua, os fiscais da vida alheia continuam a todo o vapor. Hoje, em 2016, até parece que está pior:

“Ué, mas aos 30 você já deveria estar casada ou pelo menos num relacionamento estável, não acha?! Não pensa em ter filhos?”

“E uma casa, já comprou?”

“Nossa! Mas você AINDA está remoendo isso? Deixa isso pra lá!”

Olha aí! Já não bastasse toda a ansiedade e expectativas que criamos sozinhos, vem uma galera despejando esse caminhão em cima da gente.

E aí, eu bato de novo nessa tecla: tentar se ajustar ao relógio dos outros não é orgânico at all. Pare de olhar os ponteiros, contando os segundos. Prometa deixar isso de lado e fique “de luto” o tempo que for apropriado. Curta o processo da vida criativa como tem que ser porque o deadline é só seu.

Quando começou a carreira de escritora, a Liz levou mais de um ano para escrever uma história de oito páginas. Tem vezes que eu demoro dias para escrever um post como esse. Ou seja, você tem direito de ir com calma experimentando todo relacionamento que começa, seja com uma pessoa ou com o seu projeto criativo.

 

Rebele-se e acesse a sua alegria

Porém não deixe de agir por temer o resultado. Respeitar o seu tempo é uma coisa, usar isso como desculpa é outra.

Usando o caso da Melissa como exemplo, ela não queria apenas escrever uma música para a irmã, ela queria fazer A MÚSICA, afinal desejava que fosse uma grande homenagem e também por isso se sentia tão travada. medo de fazer merda

Na maioria das vezes, quando alguém tem muito respeito por algo (assim como Melissa para com a música), as pessoas tentam fazer as coisas da maneira certa, correta e direita. Eu, que sou designer, quando decido desenhar alguma coisa, por mais simples que pareça ser, eu simplesmente não desenho. Penso, rascunho, daí pesquiso no Google como utilizar as tais técnicas de ilustração, assisto tutoriais e dias depois: nada, ainda tô pesquisando. ¬¬

Por que eu não pego um lápis, papel, desenho e pronto? Eu me irrito comigo mesma profundamente!

A Liz chama a atenção para uma coisa curiosa. Sabe aquelas pessoas que de tanto te respeitar o sexo não é bom? Aquele tipo que praticamente te pede permissão para te tocar? Senhor, como isso é irritante!

Excesso de respeito pode bloquear coisas interessantes, portanto seja mais selvagem – no sexo e no que diz respeito às suas atividades criativas. 😛

Até porque…

 

Não temos nada a perder!

Eu sei que atitudes simples são fáceis de serem tomadas, mas quando temos tarefas grandes a cumprir, como a música da Melissa, seu primeiro texto como jornalista ou a criação de um produto para o seu negócio, a gente trava, é lógico!

Para remediar a situação, Liz recomenda uma atividade.

“Quando eu estou travada em uma coisa que estou fazendo, eu faço o oposto do que eu deveria estar fazendo porque se eu não consigo fazer o que eu deveria estar fazendo, é porque eu não deveria estar fazendo isso neste momento.”

Ufa! Ficou confusa? Eu também.

Mas consegui entender que fazer algo para tirar o foco do que queremos realmente fazer mas não conseguimos, pode nos trazer benefícios. Principalmente se fizermos algo mais leve, solto onde podemos acessar a alegria e gratidão que temos dentro da gente.

A Liz ainda falou de um amigo que tinha dificuldade nos seus primeiros anos como compositor porque ele tentava ser sério, grande e importante o tempo todo, então, tudo o que ele escrevia carregava essa carga pesada. Até que um dia, ele se deu conta de que era apenas um compositor e que seu trabalho era apenas fazer bijuterias para o interior da mente das pessoas. (Aliás, que linda essa definição para a arte de ser compositor!) Sendo assim, criar um “brinquinho” parecia mais fácil do que escrever uma grande letra. Ele “minimizou” sua arte para se sentir mais calmo e confiante diante da tarefa e passou a fazê-la sem a dureza de antes, usando a alegria como instrumento.

Pronto, é isso. Se a emoção é sua matéria-prima, nem tudo terá a obrigação de ser enorme, magnífico e agradar todo o tipo de público. A única obrigação é ser verdadeiro.

 

Leia os outros posts da série:
INTRODUÇÃO – Como viver uma vida criativa e vencer a procrastinação
LIÇÃO 1 – Faça o que acende a sua alma
LIÇÃO 2 – Siga sua paixão com garra (especial para mães)
LIÇÃO 3 – O que você procura está procurando por você
LIÇÃO 4 – A disciplina para enxergar maravilhas

Para ouvir mais sobre o assunto, baixe os podcasts AQUI. (em inglês)

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