ENCONTREI MEU PRÍNCIPE! NÃO, PERA…
4 de dezembro de 2015
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Os planos de passar a madrugada entretida com drinks e pessoas foram por água abaixo ao encontrar todos os bares e restaurantes do aeroporto fechados. Passar a noite ali, deitada no chão e sem nenhum cobertor seria um tormento. Afinal, seriam oito horas esperando pelo voo de volta para Nova York.

Seria um tormento, se não fosse pelo James: um militar bonito, alto, forte e tatuado, daquele jeito que toda sogra sonha em ter como genro. #avemaria

James chegou perguntando se poderia dividir a tomada com ela e, logo puxou assunto. Conversaram sobre os lugares de onde vieram, porquê estavam ali e para onde iam. Num piscar de olhos, os dois já estavam assistindo séries no Netflix em um cineminha improvisado: o celular dele apoiado estrategicamente em uma mala. Deitados no carpete, eles comentavam alegremente sobre as cenas de Dexter. Ele era engraçado e cavalheiro, afinal, ela estava coberta com uma camisa xadrez que ele mesmo ofereceu “para ela não ficar com muito frio”. Sim, xadrez, aquele padrão que instantaneamente deixa os homens mais sexy quando vestidos. James definitivamente sabia disso, apesar de não precisar.

Depois de um tempo, uma senhorinha adorável apareceu e se juntou a eles. Senhorinha que pode ser chamada de “A louca do tricô”.  Que tirou da mala mil rolos de linha e cachecóis inacabados para “esquentar os dois mais um pouquinho”. Pronto, a personagem caricata havia chegado.

Como ela estava cansada, afinal desde que chegara aos Estados Unidos a rotina estava corrida, cochilou. E em meio a cochilos e conversas com James e a senhorinha, se sentiu feliz por não estar sozinha ali.

Quando estava amanhecendo, James a acordou para dizer que estava indo embora e se despedir. Ele perguntou o nome dela mais uma vez, enquanto ela só respondeu, agradeceu e devolveu a camisa. Ele desejou boa sorte em todas as próximas viagens, sorriu e se foi.

Isso poderia ser o roteiro de mais uma comédia romântica com percalços e final feliz mas, não, foi apenas a noite que passei no Aeroporto Internacional de Charlotte, na Carolina do Norte. Eu saí de NY só para assistir a um show da Sara Bareilles e voltar na manhã seguinte.

 

MORAL DA HISTÓRIA

Depois que o James foi embora, fiquei mais um tempinho por lá e quando chegou a minha vez de partir, não quis acordar a senhorinha. Deixei os pedacinhos de tricô do lado dela e saí dali muito arrependida de não ter trocado telefone, e-mail, Facebook ou qualquer outra coisa para nos contactarmos depois.  Se bem que, da última vez que troquei contato com caras legais que passei algumas horas em cidades desconhecidas, deu no que deu, né?! Bom, quem sabe a gente não se esbarra em algum aeroporto de novo?

Mas, eu só queria dizer que é aí que está a verdadeira magia de viajar sozinho, sem rumo certo, sem hotel, sem saber no que vai dar.  O mundo está muito mais cheio de pessoas dispostas a te ajudar do que ferrar com você. Mentalize coisas boas, relaxe e pequenos bons momentos sempre virão.

A minha noite teria sido muito mais sem graça se não fosse A louca do tricô, o James, o seu sotaque meio caipira, o desenho novo que ele me apresentou e as risadas que trocamos juntos. Gratidão! ❤️

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