O ANO DOS 27 E O RETORNO DE SATURNO
29 de dezembro de 2015
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Em 2014, meses antes de completar 27 anos em março desse ano, eu já me preocupava.

O pânico era por causa de toda a energia que envolve essa idade e quem já é sensível a influências externas, como eu, se torna mais ainda.

Dizem que é com 27 que começamos a sentir o impacto do Retorno de Saturno nas nossas vidas e, por isso, ficamos mais pensativos e reflexivos. Saturno demora 29 anos para dar a volta completa ao ponto onde ele estava quando nascemos. Como Saturno também é conhecido como Cronos, o Planeta do Tempo, ele traz essa carga pesada de necessidade de amadurecimento. É a primeira vez que temos contato com a sensação de que a vida é pra valer e que não temos mais tempo para dúvidas e ilusões.

Eu posso confirmar que é assim mesmo. Durante esse ano, foi exatamente como me senti. Em alguns dias, acordava, pensava na vida e, do nada, uma estranha sensação se apoderava de mim. Pensamentos sobre família, trabalho, tempo, céu, terra e, principalmente, sobre eu mesma, que nunca tinham passado pela minha cabeça, agora estavam pipocando e tirando o meu sono.  

É claro que contando assim, parece muito assustador. E ainda temos a ansiedade, o mal da sociedade jovem, que faz a gente querer acelerar as coisas e não aceitarmos o que vem até nós, cada coisa a seu tempo. Mas, apesar disso, é uma transformação necessária para a vida adulta definitiva que todos temos que passar. Por isso, os 27 são esse turbilhão de emoções, incluindo muito choro e euforia.

E por ser um ano bastante emotivo, acabamos tomando decisões grandiosas na tentativa até mesmo inconsciente de nos libertar de algo (que muitas vezes, nem sabemos o que é!) que nos prende e nos aflige. Eu perguntei para todos os meus amigos mais velhos como tinha sido o ano dos 27 para eles e, por coincidência ou não, todos realizaram coisas que deram guinadas na vida: mudaram de emprego ou cidade, compraram carro, terminaram relacionamentos…

E eu? Eu mudei de país. 

2015 foi sem sombra de dúvidas, o ano mais louco e diferente da minha vida. Foi o primeiro que eu não tive uma rotina e a cada dia, eu podia fazer uma coisa diferente. Confesso que essa alegre e convidativa instabilidade me incomodou um pouco no início, porque eu sou do tipo certinha que adora seguir instruções para um funcionamento perfeito das atividades. #maseujuroquenaosouchatajuromesmo!

Consegui concretizar o que estava na minha cabeça há algum tempo: passar mais tempo com a minha mãe, experimentar a vida num país diferente e poder viajar mais e com mais facilidade para tirar férias de tudo, durante um ano.

 

Eu conheci 8 países diferentes, fiz uma viagem beeem longa pela primeira vez, fiz trabalho voluntário, ultrapassei meus limites (de novo. Tô ficando boa nisso! 😛 ), conheci pessoas maravilhosas e inspiradoras, vi muitas formas de viver e me senti muito pequena diante desse mundão de Deus e isso, é sim uma boa coisa. Ah, e ainda lancei um livro e esse site! 

 

Todo esse caldeirão de novas possibilidades fez com que o ano passasse voando e eu só consigo dizer: “Ué! Mas, já acabou?”

Sim, o meu ano sabático está na reta final e, agora, prestes a virar o ano para recomeçar a pensar na minha “vida de verdade”, arrisco a dizer que não achei as respostas que estava procurando. Ou será que achei, mas ainda estão em processo de adaptação e só irão aparecer lentamente para mim no fim dos meus 27? Sim, eu ainda tenho mais três meses de 27! Hehe

2015 foi o ano da liberdade, da troca, da experimentação e de muita informação. De encher a boca de doces como uma criança gulosa e rir alto e sem parar. Muito gostoso tudo isso!

Que 2016 venha com muita calma, luz e clareza para todos nós. Afinal, eu preciso de tempo para mastigar e sorrir, como uma adulta satisfeita e educada ao final da refeição. 😉

Designer de Moda/Gráfico Freelancer que mora em Portugal, ama animais, viajar, divagar e escrever sobre isso.
Minhas inspirações visuais e musicais estão sempre pelas minhas redes sociais, logo aqui embaixo, ó.

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